CINECLUBISMO EM FESTA EM SETEMBRO/2026

Na primeira "super terça" de setembro, o Cineclubismo goiano viveu um dia de celebração, formação e articulação coletiva. A aula inaugural da disciplina Realidade Regional, do curso de Cinema da Universidade Estadual de Goiás (UEG), transformou-se em um marco para a cultura do estado. Sob a condução da professora Geórgia Cynara — também responsável pelo projeto Lumina —, o encontro promoveu um diálogo potente entre a academia e quem faz o cinema pulsar nas comunidades.
O evento reuniu realizadores, pesquisadores e agentes culturais de diversas geografias de Goiás. Essa descentralização reforçou o caráter integrador do encontro, que cruzou fronteiras municipais para discutir a identidade audiovisual goiana. A manhã foi dedicada a encantar os corações dos estudantes de Cinema da UEG. Os futuros cineclubistas puderam absorver a bagagem de veteranos do movimento, criando uma ponte fundamental para a renovação e continuidade dessa prática cultural. O encontro firmou um compromisso coletivo: o de pensar o cinema não apenas como um produto de consumo massificado, mas como uma ferramenta viva de transformação social, de ocupação urbana e de interiorização cultural em Goiás.
A força do movimento cineclubista estadual se fez notar pela expressiva lista de participantes e coletivos presentes, que enriqueceram o debate com suas diferentes vivências e recortes de atuação de Goiânia contamos com a presença de Eudaldo Guimarães (Cineclube Antônio das Mortes), Noé Luís da Mota (Cineclube Catedral), Aline Wilik (Cineclube Luluzinha), Sandro de Oliveira (Cineclube Laranjeiras) e Francisco Lillo (Cineclube Imigração), de Caldas Novas as cineclubistas Helena Carvalho Sicsu e Kênia Rodrigues (Cineclube Provocação), de Olho d’agua, distrito de Alexânia, Eduardo Alonso (Cine Naco) e de Pirenópolis, Tadeu Ribeiro Costa (Cineclube COEPI). O evento contou com a presença da arquiteta Marcelina Gorni, a quem o movimento expressa profundo agradecimento pela participação que agregou tanto conhecimento, generosidade e simpatia ao debate.
O agradecimento estende-se também à professora Geórgia Cynara, cuja sensibilidade e visão pedagógica permitem, ano após ano, que esse diálogo horizontal e necessário aconteça. Eventos como este provam que o cinema em Goiás resiste, interioriza-se e segue cumprindo o seu papel mais nobre: o de aproximar pessoas e transformar realidades através do olhar.
Para transformar o potencial dessa rede em ações concretas, foram comentadas estratégias fundamentais de atuação e sustentabilidade, sendo elas, O Engajamento Político, Social e Comunitário. O cineclube se fortalece quando se conecta às dores e às celebrações de seu território. A principal estratégia é atrelar sessões a grandes acontecimentos, lutas sociais e pautas afirmativas, transformando a tela em um espelho de debates urgentes como racismo, diversidade de gênero, preservação ambiental e direitos humanos. Esse debate ganha sustentação por meio do acolhimento e mediação democrática, garantindo que a sessão não termine com os créditos: a palavra é aberta ao público, estimulando o pensamento crítico em um ambiente seguro e horizontal.
A Territorialidade e Logística Local, a rede goiana reconhece a necessidade de se movimentar. Por meio da itinerância, os cineclubes assumem o compromisso de levar o cinema a bairros periféricos, zonas rurais e distritos afastados, descentralizando o acesso. Cada ação, no entanto, exige verificar o contexto local. O perfil de público de uma cidade turística como Caldas Novas difere das demandas comunitárias de Olhos d'Água ou do cenário estudantil de Goiânia; logo, a programação e a linguagem devem respeitar a identidade de cada solo.
A Programação, Curadoria e Mercado, para oxigenar as telas, o grupo propõe buscar o acerto com distribuidoras independentes e de cinema comercial, formalizando as exibições. Uma tática de formação de plateia defendida é usar filmes comerciais como "isca": atrair o público com títulos de apelo popular para, gradativamente, introduzir o cinema autoral, documental e regional. Além disso, os cineclubes devem funcionar como espaço de estreia, tornando-se janelas prioritárias para o lançamento de produções goianas e brasileiras que muitas vezes não chegam ao circuito exibidor tradicional.
Escuta Ativa e Identidade Coletiva, a sustentabilidade de um cineclube reside na sua capacidade de escutar o público, moldando a curadoria a partir dos desejos e feedbacks da comunidade, em vez de impor uma visão estritamente acadêmica. Exibir um filme passa a ser um gesto de compromisso com a memória local, com a formação cidadã e com a continuidade do projeto, gerando um sentimento de pertencimento recíproco.
Parcerias e Rede de Apoio, nenhum cineclube opera isolado. A articulação estadual prevê a criação de parcerias com Pontos de Cultura já estabelecidos nas cidades, aproveitando espaços físicos e redes comunitárias existentes. Da mesma forma, a parceria com festivais de cinema de Goiás e do Brasil permitirá o intercâmbio de realizadores, o acesso a cópias de filmes premiados e a inserção dos cineclubes nos grandes circuitos de debate audiovisual.
Infraestrutura, Sustentabilidade e Experiência, no campo prático e afetivo, a experiência do espectador é sagrada. O grupo destacou a importância da pipoca — o afeto em forma de alimento, que quebra a rigidez do espaço e convida à permanência. Para dar suporte às exibições, planeja-se a estruturação de um acervo coletivo e compartilhado de filmes (respeitando os direitos autorais) e equipamentos. Por fim, a confecção de identidade visual e produtos, como a camiseta do cineclube, funcionam tanto como ferramenta de geração de renda para a manutenção dos projetos quanto como símbolo de orgulho e identidade para os cineclubistas goianos.
DIALOGO CINECLUBISTA NO CINE CULTURA
No coração da vibrante cena cultural de Goiânia, o histórico Cine Cultura, localizado no Centro Cultural Marieta Telles Machado na icónica Praça Cívica, abriu as suas portas para uma tarde inesquecível de cinema e debate. Os cineclubes Mais Filme e Imigração uniram forças para promover uma sessão especial que reafirmou a força do movimento cineclubista goiano, gerando um espaço acolhedor de partilha e reflexão. O grande protagonista da tela foi o aclamado filme-ensaio Goyania - Outubro ou Nada, da realizadora Uliana Duarte. A obra é uma carta de amor epistolar e feminina dirigida à sua cidade de origem, construída de forma magistral através do método de collage. Ao misturar sons e arquivos de várias épocas com imagens íntimas gravadas em Super 8 entre 2009 e 2019, Uliana desconstrói as narrativas oficiais. O filme confronta o espectador ao revisitar memórias pessoais e ao explodir, simbolicamente, o monumento ao bandeirante Anhanguera, questionando o apagamento dos povos originários na fundação da capital.
A presença calorosa dos cineclubistas e do público converteu a sala num território de debate democrático e político. Mais do que uma simples projeção, a sessão no Cine Cultura funcionou como um espelho comunitário, onde a história de Goiânia foi dissecada, celebrada e ressignificada pelos olhos de quem a habita e a pensa através da arte.
O Encontro Cineclubista no MIS-GO foi um momento marcante de partilha, celebração e planeamento para o futuro do cinema comunitário em Goiás. O evento reuniu cineclubistas no Centro Cultural Marieta Telles Machado para fortalecer a rede e desenhar os próximos passos da Sétima Arte no estado.
O encontro começou com uma visita inspiradora à exposição "No tempo do acontecimento", da fotógrafa Adriana Bittar, em cartaz na sala do museu. Apresentação do acervo pela gestora Gisele Gomes Garcia que guiou os participantes pelas riquezas do Museu da Imagem e do Som de Goiás (MIS-GO), partilhando detalhes valiosos sobre a história, o espaço e a conservação do acervo.
Foi realizado um balanço muito positivo sobre os cineclubes contemplados no edital de manutenção de espaços culturais, na categoria específica de Cineclubes. Foram apresentados os próximos encontros cineclubistas que já tem datas e destinos definidos para os próximos meses de 2026, sendo eles, Catalão em outubro, Caldas Novas em novembro e Olhos d'Água em dezembro.
Para encerrar a jornada com chave de ouro, os cineclubistas presentes partilharam as suas impressões sobre o evento. O grupo debateu com entusiasmo as projeções e metas para o Cineclubismo em 2026 e 2027, reafirmando o papel do cinema como ferramenta de transformação social e união comunitária. Participaram do encontro Samuel Vaz (Cineclube de la Muerte), Eudaldo Guimarães (Cineclube Antônio das Mortes), Eduardo Alonso (Cine Naco), Zorade Bastos (Cineclube Longevidade), Nerivam (Cineclube Kurosawa), Tadeu Ribeiro Costa (Cineclube Coepi), Helena Carvalho e Kênia Rodrigues (Cineclube Provocação), Noé Luís da Mota (Cineclube Catedral), Deborah Tomaselli e Samuel Tomaselli (Cineclube Maisfilme), Francisco Lillo (Cineclube Imigração), Elisa Cardoso Cândido da Silva (Cineclube Maria Grampinho) e a arquiteta Marcelina Gorni que nos acompanhou nesta jornada.

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