"UM TRISTE E BELO MUNDO" (2025) DE CYRIL ÁRIA

Os filmes libaneses ou sobre o Líbano abordam a guerra civil e as consequências e sequelas que se seguiram como a invasão do exército judeu no sul do país, região ocupada pelo Hezbollah com forte influência xiita e Irani. Mas meu comentário não passa pela barbaridade da guerra, a orfandade de muitas crianças, ainda que este filme seja sobre a inocência da infância, ele também é um filme sobre acreditar na felicidade e na sensação da vulnerabilidade de apaixonar-se no momento em que menos esperamos.
Muitos filmes me impactaram com tal magnitude sobre o tema do amor, entre eles o argentino "O lado obscuro do coração" (1992) de Elíseos Subiela, "A liberdade é azul" (1993) e a trilogia das cores do polonês Krzystof Kieslowski, "Amor" (2012) do austríaco Michael Haneke e "Brilho eterno de uma mente sem lembrança" (2004) de Michel Gondry, onde a paixão, a perda, a entrega, a cobrança e a solidão fazem do mundo com uma série de escolhas e dificuldades que podem ser impactadas por um "tudo vai está bem" ou "tudo vai dar certo" como se tudo fosse transformado por confiar no outro, apenas uma esperança de que a sorte mudará nossa vida ou simplesmente, na ilusão da companhia e de não sentir-se tão só.
"O lado obscuro do coração" iluminou com esperança e raciocínio amores que se transformaram em eternos e fazem parte da memória, com carinho, mas sem o desespero da saudade. Em "Amor" de Haneke, me fez sonhar em ter alguém que me acompanhe, mesmo na doença e que não me deixe vegetando ou perdendo a razão, que tenha compaixão, deixando-me partir. Em "A liberdade é azul" de Kieslowski, a perda, os segredos, o abandono de si e a sensação de vazio e silêncio, quando o cantar já não faz sentido e nem a brisa consegue refrescar o minha aridez. Em "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" o destino, a ausência, a impulsividade, a sensação de não ter sido o escolhido e a vontade de querer esquecer ou simplesmente esperar que a dor me abandone ou me tome pra si. Que o descansar seja apenas um fechar de olhos e conseguir transcender sem adoecer.
"Um triste e belo mundo" é uma comédia romântica que me deixou a deriva de novas ilusões, novos amores ou apenas seguir vivendo, respirar sem ter que questionar o porquê, dessa solidão e a ilusão de que amanhã será apenas mais um dia.

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