Cineclube Imigração exibe o aclamado filme chileno "Machuca" na Escola de Artes Visuais do Centro Cultural Octo Marques
No próximo dia 20 de agosto, às 15 horas, o Cineclube Imigração promoverá uma sessão especial com a exibição e debate do premiado filme Machuca (2004), dirigido pelo cineasta chileno Andrés Wood. O evento acontecerá na Escola de Artes Visuais, localizada no Centro Cultural Octo Marques (Edifício Parthenon Center, Centro de Goiânia). A entrada é totalmente gratuita.
A atividade faz parte do cronograma de ações do Cineclube Imigração para o ano de 2026, viabilizada por meio do Edital de Manutenção Continuada de Espaços Culturais – PNAB 2026, no qual o projeto foi contemplado na Categoria C – Manutenção de Cineclubes. A iniciativa conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), operacionalizada pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás).
O Filme: Machuca (Dir. Andrés Wood, 2004)
Ambientado em Santiago do Chile, em 1973, às vésperas do golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende, o longa-metragem acompanha a improvável amizade entre dois garotos de realidades opostas: Gonzalo Infante, um menino de classe alta, e Pedro Machuca, que vive em uma comunidade marginalizada. Eles se conhecem em um colégio religioso de elite que, por iniciativa de um padre idealista, decide integrar crianças de baixa renda. Através do olhar inocente dos jovens, o filme traça um retrato sensível, comovente e profundamente político das fraturas sociais, da polarização ideológica e da perda da inocência de um país em vias de enfrentar uma ditadura brutal.
Após a exibição, haverá uma roda de conversa mediada pelos integrantes do cineclube, abrindo espaço para reflexões sobre as conexões históricas da América Latina e a importância do cinema como ferramenta pedagógica e de transformação social.
História e Propósito Inicial
Nascido em Goiânia em junho de 2014, o Cineclube Imigração surgiu com uma proposta singular e urgente no cenário cultural do Centro-Oeste: promover a integração cultural entre o Brasil e a América Latina, com ênfase histórica no intercâmbio de experiências entre o Brasil e o Chile. Idealizado por figuras fundamentais do movimento cultural, como o realizador e pesquisador Francisco Lillo, o cineclube foi estruturado para ser mais do que uma mera sala de projeção alternativa; ele se consolidou como um porto de acolhimento e discussão para imigrantes, estudantes e pesquisadores interessados em discutir as memórias políticas e estéticas do continente.
Principais Atividades e Projetos
Ao longo de mais de uma década de resistência e fomento cultural, o Cineclube Imigração desenvolveu pilares sólidos de atuação:
1. Sessões Itinerantes e de Clássicos: Difusão regular de obras fundamentais do cinema periférico e vizinho — desde o clássico boliviano Chuquiago (1977) até produções chilenas contemporâneas como Gloria (2013).
2. Cinema e Educação: Uma das frentes mais célebres do grupo é a sua aproximação com o ambiente escolar e acadêmico. Através de parcerias históricas com sindicatos de professores do ensino privado e público, o cineclube utiliza filmes para debater a rotina do educador e os dilemas sociais do país.
3. Seminário "Encontro de Cinema e Educação": Um evento anual que reúne realizadores, professores e a comunidade para traçar diagnósticos e criar metodologias de inserção da linguagem audiovisual nas salas de aula.
4. Intercâmbios Transnacionais: O projeto atua ativamente na ponte internacional, promovendo mostras do cinema goiano no Chile e vice-versa, mapeando a presença da cinematografia política latino-americana na produção brasileira.
Integrantes e Articulação Coletiva
O Cineclube Imigração opera sob uma lógica estritamente democrática e coletiva, integrando a União de Cineclubes de Goiânia. Entre suas lideranças expressivas destaca-se o professor e pesquisador Francisco Lillo, cujos estudos focam na decolonialidade e na presença política do Chile nas artes visuais brasileiras. A equipe técnica está conformada por Déborah Caroline Tomasseli, fundadora do Cineclube, na produção, o chileno Rafael Sepulveda, na diagramação e designer gráfico, Sophia Munhoz de Omena Lillo Biagetti, estudante de Artes Visuais da UFG, responsável pelas redes sociais, Edson Barbosa, como oficineiro e parceiro e a chilena violeta Arvin, sociologa e curadora.
A Importância no Cineclubismo Goiano e Nacional
O Cineclubismo é, por excelência, uma prática social de democratização do olhar. Em um país onde o circuito exibidor comercial é severamente concentrado em shoppings e focado em produções hegemônicas de Hollywood, o Cineclube Imigração atua como um polo de resistência cultural e formação de plateia.
Sua importância reside em três vertentes estruturais:
• Descentralização do Acesso: Ao ocupar espaços como a Escola de Artes Visuais do Centro Cultural Octo Marques, o projeto atrai novos públicos e devolve o cinema ao centro urbano e histórico de Goiânia.
• Pensamento Decolonial: O foco na cinematografia latino-americana força o espectador a romper com a barreira do idioma (o espanhol muitas vezes ignorado pelo mercado brasileiro) e a se enxergar nos traumas de ditaduras e nas vitórias democráticas dos povos vizinhos.
• O Debate como Prática Cívica: Diferente do consumo passivo do streaming, o Cineclube resgata a tradição francesa e o legado histórico do Chaplin Club (o pioneiro brasileiro): a sessão só se completa quando as luzes se acendem e a palavra é dada ao público para pensar o mundo através da tela.
• Evento: Sessão do Cineclube Imigração – Exibição de Machuca e debate
• Data: 20 de agosto de 2026
• Horário: 15 h
• Local: Escola de Artes Visuais – Centro Cultural Octo Marques
• Endereço: Rua 4, nº 515, Edifício Parthenon Center, Centro, Goiânia - GO
• Entrada: Gratuita




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