OS CINCO FILMES DO CINEMA ORIENTAL QUE ABRIRAM MEUS HORIZONTES
Comecei a realizar a lista de filmes que marcam a minha apreciação cinematográfica e que sua temática combina com as aspirações da minha trajetória como professor e como pessoa. A primeira lista é sobre cinema hispânico e a segunda sobre o cinema com uma sensibilidade e respeito à humanidade.
O primeiro filme é "Sonhos" (1990) de Akira Kurosawa, histórias oníricas que acompanharam o realizador de "Ran"(1985), "Kagemusha"(1980) e "Os sete samurais"(1954). Sua complexidade, estética e preocupação com a imagem. O diretor se transformou em uma referência do cinema japonês, os sete samurai e um dos principais westerns que as Escolas de Cinema exibem e que transcende a estética cinematográfica. Os "Sonhos" atravessam a vida do diretor desde o respeito as tradições e autoridade na infância, a perda de companheiros e a culpa da sobrevivência e o retorno na Segunda Guerra Mundial, o terror a guerra nuclear e suas consequências nefastas, sua relação com a arte e Van Gogh e por último o retorno as tradições e a partida do ente querido.
O segundo filme é do diretor chinês Zhang Yimou, "Nenhum a Menos" (1999), um filme que tive acesso graças a uma aluna do curso que eu ministrava na Universidade de Tarapacá no Chile, "Cinema, uma janela para o conhecimento", os alunos tinham que apresentar e debater um filme e fui apresentado a "Nenhum a Menos" um filme encantador e inspirador aos novos professores. Deste diretor, já tinha assistido os maravilhosos filmes “Caminho para Casa” (1999) um retorno a cidade natal para enterrar ao pai, um reconhecido professor rural e “Lanternas Vermelhas” (1991), a submissão da mulher utilizada como objeto sexual e propriedade do marido na China em 1920. “Nenhum a Menos” mostra o despertar da vocação pedagógica a partir de desafios práticos. Filme debatido em diversos cineclubes em Goiás como no Cineclube Provocação de Caldas Novas com mais de 6 mil quinhentas visualizações on-line e no Cineclube Imigração de Goiânia que teve mais de 30 participantes presenciais.
O filme “Amor à flor da pele” (2000) do chinês Wong Kar-Wai, um dos filmes mais sensuais e sensíveis que assisti. Um filme que me fez sentir a beleza da paixão de alguém que chega num momento onde temos companhia e temos que decidir os caminhos a seguir, continuar relacionamentos desgastados ou permitir-se compartilhar com alguém que achamos especial. Os critérios morais, o engano, a paixão ou simplesmente frustrar e não dar ouvidos ao sentimento. A sequela do filme “2046” (2004), não me deixou uma sensação agradável, como se a emoção foi marcada pela experimentação e a procura do final feliz, ou que o amor é coisa da falta de maturidade e inexperiência, apenas um sonho que não existe, que decepciona ou que a realidade o faz ser apenas uma fantasia do amor. A sensação de “Amor à flor da pele” e a mesma de “O Lado escuro do Coração” de Eliseo Subiela, mencionado na lista dos filmes hispânicos. As sequelas e as segundas partes reforçam a fantasia de uma memoria seletiva e de um apaixonado que deixou escapar aquela que o faria voar.
O filme Sul coreano “O Motorista de Taxi” (2017) do diretor Jang Hoon, sobre os protestos universitários da cidade de Gwangju, uma cidade que sofre a repressão dos militares contra a ditadura do General Chun Doo Hwan e o massacre da população acusada de ser comunistas e assassinados sem compaixão, em períodos de Guerra Fria. O ator que interpreta o taxista coreano que leva o jornalista alemão para registrar o massacre é Song Kang-Ho, o mesmo do premiadíssimo “Parasitas” (2019) de Bong Joon-Ho. Filme que poderia estar entre meus preferidos, pela sua ironia e sutileza de impressionar o publico e colocar o cinema coreano entre os principais do mundo. “O Motorista de Taxi” é um filme que assisti com minha filha no cinema local. Foi uma experiência de descoberta, que mesmo com 14 anos, já era uma pessoa com critérios em formação e que tinha uma sensibilidade social e politica que reconheço hoje, em que ela já esta com 22 anos. Essa experiência de compartilhar gostos em cinema e arte com milha filha marcou este filme. Porém, ele é um filme impressionante por sua temática e questionamento sobre a opressão e sobre a capacidade de solidariedade e empatia das pessoas em momentos de conflitos onde me permite acreditar na espécie humana.
O último filme é “A Partida” (2008) de Yôjiro Takita, premiado com o Oscar ao Melhor filme Internacional, este filme emotivo e sensível, nos apresenta elementos de frustração e perda e como o preconceito, intolerância e estereótipos nos afastam de nossos entes queridos e o orgulho pode ser um detonante para a solidão e a distancia. “A Partida” é um filme que assisti em períodos em que descobrimos um câncer em meu pai e nos preparávamos para a partida que ele começava a empreender. A vida muitas vezes nos apresenta dificuldades e perdas que deixarão um vazio em nossas vidas. O filme me emociona cada vez que assisto e ele tem a sensibilidade e qualidade de me fazer sentir a relevância de estar vivo e sentir-se vulnerável na vida.
Posso recomendar muitos outros filmes orientais, entre eles o filme épico filipino “Quezon” (2025) de Jerrold Tarog, sobre a independência das Filipinas. Os premiadíssimos filmes do cineasta taiwanês Ang Lee como os premiados “O Segredo de Brakeback Mountain” (2005), “A Vida de Pi” (2012), “O tigre e o Dragão” (2000) ou “O Banquete de Bodas”(1993). Os coreanos apresentam uma diversidade como “Oldboy” (2003) de Chan-Wook Park, o frenético “Invasão Zumbi” (2016) de Sang-ho Yeon, sobre um vírus desconhecido que contagia a população coreana com a devastação de um ataque Zumbi. “A Irmandade da Guerra” (2004) de Kang-Je-gyu, um filme sobre a Guerra da Coreia e o conflito que ainda não conclui, que divide famílias e um país. “Zona de Risco” (2000) de Park Chan-wook que explicita a divisão ideológica da Coreia. Para finalizar três raridades, do cinema vietnamita, “O Cheiro da Papaia Verde” (1993) do diretor franco-vietnamita Tran Anh Hung, indicado ao Oscar de Melhor filme estrangeiro. Dois filmes do diretor cambojano Rithy Panh, que é um sobrevivente do Khmer Vermelho, seu filme “A Imagem que Falta” (2013) documentário sobre ausências no genocídio em Camboja, filme indicado ao Oscar e “Encontro com Pol Pot” (2024) sobre as experiências de três jornalistas franceses que querem entrevistar a Pol Pot em 1978 e as dificuldades de sobreviver a essa aventura.
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