CINEMA HISPANICOS PARA COMEMORAR MEUS 59 ANOS por Francisco Lillo
Neste mês de junho faço 59 anos, estou entrando aos 60 e completar uma etapa importante na vida. Escolhi fazer uma lista dos filmes que são importante, tanto pedagogicamente como pela afinidade emocional e afetiva. Começo pelos cinco filmes hispânicos que utilizei em minhas aulas e que me emocionaram muito por compartilhar com meus alunos, ou assistir umas 50 vezes, algo exagerado, porem muito real. Começo pelos hispânicos porque nos últimos 15 anos fui professor de espanhol em colégios ou em institutos de idiomas. O Cinema como uma experiência de conhecer ou reconhecer costumes e culturas diferentes, idiossincrasias de cada pais e cada cultural.
Um dos primeiros filmes que me emocionaram muito e que sempre criava uma polemica interessante pela cena do leite condensado, porem era um filme que fala de adolescência, crescimento, política, amizade, medo e tantas outras reações provocadas nos jovens. O filme é “Machuca” (2004) do diretor chileno Andrés Woods. Um filme que fala da experiência de dois jovens adolescentes em um colégio católico de classe media alta, dirigido por padres americanos que incorporam jovens de favelas num ambiente inóspito e preconceituoso, em um país dividido entre esquerda (terroristas) e direitistas (múmias), no governo do socialista Salvador Allende, dois jovens apreendem a aceitar as diferenças, porem o mundo quer apenas a eliminação do inimigo, até o golpe militar dado pelo General Pinochet. O filme arrancou muitas lagrimas e esta dentro dos meus melhores filmes chilenos junto com, “Historias de Futebol” (1997) e “Violeta se foi ao Céu” (2011) ambos de Andrés Woods, filmes que fizeram parte das sessões do Cineclube Imigração.
O segundo filmes dialoga muito com meus filmes preferidos, “Fale com Ela” (2002) do manchego Pedro Almodóvar, claro que também poderiam ser “Tudo sobre minha mãe” (1999), “Ata-me!” (1989), “De salto alto” (1991), “A Pele que habito” (2011) e tantos outros filmes do Almodóvar que não deixam ninguém impávido. Acredito que “Fale com Ela” é um filme da segunda etapa de historias do Almodóvar, de uma maturidade autoral, que para mim a sua obra se divide entre antes e depois de “Tudo sobre minha mãe”. O seu estilo e a forma como aborda os temas, emocionam e os transformam em questionamentos éticos e morais como “A pele que habito” (2011), utilizado como referencia de vestibulares pelo uso da manipulação genética ou “Mães Paralelas” (2021) onde incorpora o tema da troca de crianças nos hospitais, porem aborda um tema sensível na sociedade espanhola. Os corpos dos fuzilados e desaparecidos da Guerra Civil Espanhol (1936-1939), aproximadamente 150 mil pessoas que seus familiares não podem enterrar seus entes queridos e que divide o cinema e a sociedade espanhola até os dias de hoje.
O Terceiro filme é “Diários de Motocicleta” (2004) do brasileiro Walter Salles, além de ser premiado por “Ainda estou aqui” (2024) e “Central do Brasil” (1998), o filmes que narra as aventuras de Ernesto e Alberto, dois jovens idealistas, românticos e apaixonados pela vida, descobrem um mundo novo de pobreza e desigualdades nesta trilha que passa pelo sul da Argentina e Chile, passar por Temuco, Valparaiso, Chuquicamata e ir a Machu-Picchu, Lima e a Amazônia peruana. “Diários de motocicleta” é um Roadmovie, um verdadeiro roteiro turístico, além de mostras a diferença fonética em um mesmo país, como o espanhol da argentina, do Chile e do Peru. Além da produção internacional, diretor brasileiro, ator principal mexicano, diversos atores importantes de cada um dos países e muita cultura e colorido. O trabalho do diretor de fotografia feito pelo francês Eric Gautier e uma produção de Argentina, Alemanha, Brasil, Chile, Estados Unidos, França, Peru e Reino Unido. Um belo filme que inspira e proporciona momentos agradáveis de conhecimento e diversão.
O quarto filme é do diretor mexicano Guillermo del Toro, o premiado “O Labirinto do Fauno” (2006), uma fabula que mistura a fantasia dos faunos e das fadas e a crua realidade de um mundo insano que divide as pessoas entre uma dicotomia ideológica, preconceituosa e intolerante que faz pensar como a leitura, as artes e a cultura podem ser um alicerce e refugio de sobrevivência para não desvirtuar-se com a insensível e desumana existência imposta pelos poderosos. O filme acontece na Espanha, em 1944, a Guerra Civil Espanhola acabou a 5 anos e os perdedores que conseguiram exiliar-se na França, foram para campos de concentração e tiveram que enfrentar a fome e a morte, muitos aderiram a Legião Francesa na África e milhares conseguiram o exilio na América. No filme, Ofélia, uma adolescente leitora e sensível, acredita na fantasia, acompanha sua mãe gravida a fronteira para acompanhar o padrasto, o Capitão Vidal, um homem brutalizado pela Guerra, primeiro contra as colônias marroquíes e posterior pela Guerra Civil. Um filme entre a esperança e a brutal realidade do ódio e da intolerância politica e religiosa. Um filme que deixou muitos alunos impressionados e conhecendo um pouco mais sobre as desigualdades e polarização das nossas nações.
Por último, o meu filme mais intimista, um filme que me apaixonou e fez procurar a mulher que voa ou que me faça voar. “O Lado escuro do coração” do argentino Eliseo Subiela, fundador da universidade do Cinema em Buenos Aires, realizador de culto, que seus seguidores adoram seus filmes e consegue entrelaçar a poesia, o sexo e a paixão. Os boleros deste filme são envolventes, a presença de Mario Benedetti, o poeta uruguaio interpretando ao marinheiro que declara um poema em alemão para a prostituta, as paletas de cores da boemia de montevidéu e os poemas de Oliverio Girondo, Juan Gelman e voltando a Benedetti a declamação do poema “Não te Salves - não fiques imóvel à beira do caminho, não congeles a alegria, não queiras sem vontade, não te salves agora nem nunca, não te salves”. Um lamento, um pedido, uma suplica de esperança e de que ela não mude para adaptar-se ao outro e deixar de ser a mesma pessoa por quem ele se apaixonou. O ator deste filme é Dario Grandinetti o mesmo ator que compartilha com Javier Cámara em “Fale com Ela” anteriormente já mencionado. Essa parceria enriqueceu o filme do Almodóvar e claro a trilha sonora do filme também. Este filme não foi exibido nos colégios porque o erotismo dele não o permitia, mas exibi no Cineclube diversas vezes.
Começo com meus cinco filmes hispânicos que adoro e compartilho, se você tiver oportunidade assista e comente.





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