A INFLUENCIA DA IMIGRAÇÃO ITALIANA NO CINEMA LATINOAMERICANO
A imigração italiana ao Brasil começa no final do século XIX, com o final do processo de Unificação Italiana, o aumento vegetativo da população e a carência de alimentos, principalmente nas áreas rurais da Itália. Com a politica de substituição de mão de obra das pessoas escravizada por europeus e japoneses para as fazendas de Café de São Paulo. Entre 1884 a 1933 chegaram ao Brasil, mais de 1 milhão de italianos, sendo que no primeiro período, até o começo do século XX, eram principalmente de áreas rurais e no século seguinte, populações urbanas, muitos deles com experiências de mecanização e industrialização, fugindo do período de Entre Guerras. Na América Latina encontramos a influencia da Imigração italiana nos times de futebol, no Brasil encontramos o Palestra Itália, hoje Palmeiras, o Juventus da Mooca, ambos de São Paulo, O Cruzeiro de Minas Gerais e o Juventude do Rio Grande do Sul, são times de futebol brasileiros formados pela comunidade italiana. O Boca Junior na Argentina e no Chile o Audax Italiano são representações esportivas na America do Sul. Porem, os descendentes italianos deixam marcas significativas em todos os segmentos nos países onde deixaram suas raízes, no cinema não é exceção e registrando sua marca na produção audiovisual do nosso continente.
O Cinema italiano teve uma influencia importante nos diretores do Cine Novo Latino-americano, principalmente o Neo Realismo italiano com novas técnicas e realidades de produção e temáticas que aproximaram as cinematografias dos jovens realizadores dos anos 60, o período das revoluções e golpes militares. Os diretores italianos Federico Fellini, Michelangelo Antonioni, Luchino Visconti, Vitorio de Sica, Roberto Rossellini e posteriormente os irmãos Taviani, Sergio Leone, Bernardo Bertolucci, Pier Paolo Pasolini, Giuseppe Tornatore, Dario Argento e Nanni Moretti influenciaram os realizadores latinos para uma produção artística e autentica no continente.
A principal indústria cinematográfica também tem descendência italo-americana, como o produtor Dino de Laurentis, atores como Robert de Niro, Joe Pesci, Danny de Vito, Jonh Travolta, Nicolas Cage, Al Pacino, Mia Sorvino, Marisa Tomei, Alyssa Milano e diretores como Martin Scorsese, Frank Capra, Brian de Palma, Francis Ford Coppola e atualmente Quentin Tarantino, que construiram uma ponte entre a herança italiana e a indústria cinematográfica de Hollywood, influenciando o estilo de vida e a arte nos Estados Unidos.
No Brasil, as telenovelas “Os Imigrantes” escrita por Benedito Ruy Barbosa, exibida pela Rede Bandeirante entre 1981 e 1982. Retratava a chegada dos imigrantes no Brasil do final do século XIX e “Terra Nostra” transmitida pela Rede Globo em 2000, também escrita por Ruy Barbosa. O Filme indicado ao Oscar “O Quatrilho” (1995) de Fabio Barreto, narra a historia de imigrantes italianos no Rio Grande do Sul em 1910. As primeiras filmagens brasileiras foram realizadas em 1898, pelo ítalo-brasileiro Afonso Segreto, que registrou imagens da Baía de Guanabara, considerado como o pioneiro na produção de filmes no país. Alguns nomes importantes no Cinema brasileiro, Gianfrancesco Guarnieri, nascido em Milão e desenvolveu seu trabalho no Teatro e no Cinema como ator, dramaturgo e diretor. Andrea Tonacci, nascido em Roma, é uma figura importante no Cinema Marginal Paulistano. Ugo Giorgetti, cineasta paulistano com raízes italianas. Nico Rossini, idealizador e diretor do Festival de Cinema Italiano no Brasil. Juliano Luccas, diretor contemporâneo com cidadania italiana. Rossana Ghessa, nascida em Sardenha, fez dezenas de filmes na chamada Boca do Lixo paulistana. Giulia Gam, nascida em Perugia, atuou em diversos filmes brasileiros e em novelas globais.
Na Argentina, diversos descendentes italianos que atuam no Cinema, entre eles, o ator mais conhecido atualmente, Ricardo Darín, que atuou em diversos filmes na Argentina e na Espanha. Vencedor do Oscar a melhor filme estrangeiro, “O Segredo de seus olhos” (2010) dirigido por Juan Jose Campanella e com participação de Guillermo Francella, ambos com descendência italiana e atuação de Soledad Villamil, ainda que não tenha descendência direta, participa do filme brasileiro “Teu mundo não cabe nos meus olhos” (2018) de Paulo Nascimento, onde ela faz o papel de Clarice, uma descendente imigrante no bairro Bixiga, em São Paulo, tradicional da comunidade italiana. Outros diretores, Andy Muschietti, reconhecido diretor de filmes de terror. Luis César Amadori, nascido na Itália, influente diretor da era clássica do cinema argentino. Quirino Cristiani, desenhista e diretor, pioneiro de animação na Argentina. Gaspar Noé, cineasta de renome internacional e possui dupla nacionalidade. Finalizando, Marcos Bechis, cineasta ítalo-chileno com forte atuação na Argentina, dirigiu o filme “Garagem Olimpo” sobre a tortura na ditadura militar argentina.
O México uma das principais indústrias cinematográficas de America também tem representantes com descendência italiana no mundo do cinema. Mesmo a nova cinematografia mexicana consta com sobrenomes como Iñarritu, Cuarón o Del Toro, que não são de origem italiana o diretor de fotografia Rodrigo Prieto é de ascendência italiana e as influencias estéticas do neorrealismo italiano moldaram a cinematografia mexicana. O diretor Amat Escalante, de descendência italiana foi premiado em Cannes por “Heli”(2013).
O Chile apresenta diversos representantes de descendência italiana com produção importante como o diretor Silvio Caiozzi, realizador de “Julio Começa em Julio” (1977) um dos poucos filmes realizados no Chile do Pinochet. Miguel Littin, com descendência italiana e palestina, cineasta, roteirista e produtor, reconhecido internacionalmente com indicações ao Oscar e a diversos prêmios. Foi Presidente de Chilefilmes, a empresa de cinema chilena que na época do golpe militar de Pinochet teve que exilar-se em diversos países. Manuela Martelli, atriz e diretora de cinema e televisão. Antonio Skármeta Vranicic, escritor, roteirista e diretor chileno com ascendência croata-italiana. Amigo e discípulo de Pablo Neruda.
O Peru tem alguns representantes de ascendência italiana, principalmente da família Risso, com destaque na cinematografia local e internacional. Fazem parte da notável família Llosa, com forte presença artística e intelectual no Peru. Luis Llosa, cineasta e produtor, sobrinho de Mario Vargas Llosa, dono da produtora de TV Iguana Produções que realizou diversas telenovelas na TV peruana e posteriormente mudou para Hollywood onde realiza seu trabalho. Claudia Llosa, diretora e roteirista, premiada com seu filme “Madeinusa” (2005) e de “La teta assustada” (2009) nominada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O diretor e produtor peruano de uma produção muito extensa sobre a realidade e cultura peruana é Francisco Lombardi. Um cineasta, produtor e roteirista que dirigiu 17 filmes desde 1977. Recebeu a Concha de Prata de melhor diretor em 1985, pelo seu filme “A cidade e os Cães” baseado no livro de Premio Nobel peruano Mario Vargas Llosa.
No Equador encontramos o diretor Sebastián Cordero Espinosa, premiado internacionalmente por “Ratas, Ratones, Rateros” (1999), “Crónicas” (2004) e “Europa Report” (2013), com passagens por Cannes e Sundance. Na Colômbia, o diretor Sergio Cabrera tem reconhecimento internacional, principalmente pela obra “A Estratégia do Caracol” (1993). No Uruguai. Daniel Hendler, renomado ator e diretor uruguaio, figura chave na renovação cinematográfica do Rio da Prata, dirigiu “Norberto apenas tarde” (2010). Alicia Cano, diretora do documentário “Bosco” (2020) que aborda a imigração italiana para o Uruguai. George Hilton (Jorge Hill Acosta y Lara) ator uruguaio de ascendência italiana, ícone do spaghetti western italiano, nascido em Montevidéu e atuante na Itália.
No estado de Goiás realizamos um filme sobre a presença da Congregação da Pequena Obra da Divina Providencia de Don Orione em Goiás, em 1952. Jovens Religiosos italianos em missões em 1952 no norte de Goiás, hoje Estado de Tocantins. “Saga Orionita, Missão do norte de Goiás” (2022) realizada pelo chileno Nicolas Pienovi, que também dirigiu no Chile o filme “Refugiados” (2015) sobre a vida de Monsenhor René Pienovi Masafierro, um religioso com importante influencia com o Regime Militar de Pinochet. O diretor Francisco Lillo Biagetti, realizou o curta sobre a presença das irmãs italianas que chegaram ao norte de Goiás para acompanhar a Missão religiosa. “A Face feminina de Don Orione no Norte de Goiás”, filme apresentado na Mostra Claque do SESC Goiás.
Esta conferencia será apresentada na Feira Virtual do Livro da Itália sobre a "A imigração italiana no cinema latino-americano" é publicada no canal do Youtube “El Rincón del Poeta” do Cineclube Imigração.
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