DESCOBRINDO O CINEMA FILIPINO
Na minha infância colecionava selos, hoje minha coleção tem mais de 50 mil selos e com eles conseguia conhecer países, personagens, bandeiras e temas impressos nas “estampillas”. Para falar de cinema filipino vou falar um pouco de suas características físicas e historia ocidentalizada. Filipinas é um arquipélago conformado por mais de 7 mil ilhas, de clima tropical, no Circulo de Fogo do Pacífico, região de terremos e furacões. Com uma população aproximada de 112 milhões (2024), o sétimo país mais populoso do mundo, com uma densidade demográfica de 388 hab./Km², com um PIB per capita de 12.930 dólares e IDH de 0,710 (113º). A historia filipina esta representada em sua cinematografia. Em 1521, o marinheiro português Fernão de Magalhães chega ao arquipélago e começa um longo período de colonização ibérica. O realizador filipino Lav Diaz, realiza “Magalhães” (2025), com a participação do mexicano Gael Garcia Bernal, conhecido por atuar em “Diários de Motocicleta” do brasileiro Walter Salles. Em 1543, o explorador espanhol Ruy López de Villalobos deu ao arquipélago o nome de Las Islas Filipinas, em homenagem ao Rei Felipe II da Espanha.
A colonização espanhola chega até a decadência do Império Espanhol, em 1898, após o naufrágio do couraçado estadunidense “Maine” em Havana, Cuba, colônia espanhola, os Estados Unidos declara a Guerra à Espanha e começa a Guerra Hispano-Americana, que após 10 semanas de luta, declara-se a Independência de Cuba, que passa a ser um protetorado estadunidense junto a Puerto Rico, Guam na micronésia no oceano Pacifico e Filipinas. O filme “1898, os últimos das Filipinas” (2016) do diretor espanhol salvador Calvo, encontra-se esta disponível na Netflix. Outro filme deste período é “Heneral Luna” (2015) do diretor filipino Jerrold Tarog, disponível no Youtube, trata sobre o general Antonio Luna que enfrenta a resistência de seus próprios compatriotas pela liberdade durante a Guerra Filipino-Americana. A colonização espanhola deixa como legado o idioma, a arquitetura colônia e o catolicismo (a terceira maior população católica do mundo). O legado estadunidense é o idioma inglês, a influencia cinematográfica nos anos 50, primeiro período de ouro do cinema filipino e um sistema de educação pública.
Entre 1942 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, Filipinas, um protetorado estadunidense é invadido pelo imperialismo japonês, produzindo novamente a destruição de Manila e outros massacres sofridos pela população filipina. O filme “Bataan” (1943) do diretor estadunidense Tay Garnett, com a atuação de Robert Taylor e Thomas Mitchell. Um clássico bélico da Metro-Golwyn-Mayer sobre uma missão suicida de soldados americanos e filipinos para destruir uma ponte para atrasar o avanço do exercito japonês. O filme filipino “Death March” (2013) de Adolfo Alix Jr. Durante a Segunda Guerra, 80 mil prisioneiros americanos e filipinos foram vítimas de uma atrocidade conhecida como “Marcha da Morte”. Quando o exercito japonês venceu a Batalha de Bataan, forçou os prisioneiros a caminhar dezenas de quilômetros, sem agua, comida e atendimento médico. Com o fim da Guerra mundial em 4 de julho de 1946, os Estados Unidos reconhecem a independência filipina.
Entre 1965 a 1986, Filipinas foi governado pelo advogado e politico Ferdinand Emmanuel Edralín Marcos, um ditador que estabeleceu a lei marcial de 1972 a 1981, concedendo-se poderes em um “autoritarismo constitucional” período que em América Latina compartilhava o futuro obscuro da ditadura militar. Este período é denominado como a 2º era do ouro do cinema filipino, durante as décadas 70 e 80, o cinema como uma ferramenta politica, questionando a Censura da Lei marcial e com reconhecimento internacional pelas temáticas cinematográficas. “Evolução de uma família filipina”(2004) dirigido por Lav Diaz, um épico que acompanha uma família rural nas décadas 70 e 80, servindo de metáfora para a sociedade filipina sob o regime de Marcos. “Do que vem antes” (2014) de Lav Diaz, filme de cinco horas e meia, retrata a imposição da Lei marcial em 1972 e como o autoritarismo militar afetou a vida em vilarejos. “Desaparecidos” (2009), dirigido por Joel Lamangan, aborda a dura realidade dos opositores políticos que foram sequestrados e torturados pelas forças do governo durante o regime. O documentário “Imelda” (2003) dirigido por Ramona S. Diaz, a historia da ex-primeira dama Imelda Marcos, ex-miss Filipinas e colecionadora de sapatos, desde sua ascensão ao poder ao lado de Ferdinand Marcos até seu exilio e morte de seu marido em Honolulu, nos Estados Unidos. Imelda e Ferdinand são os pais do atual presidente de Filipinas até 30 de junho de 2026, Bongbong Marcos (Ferdinand Romualdez Marcos Jr.).
Sobre o cinema filipino em 2025 foram produzidos 145 filmes, muito feitos para as salas de cinema e uma parte importante para streaming. O cinema emprega 260 mil pessoas, Filipinas tem 920 salas de cinema, principalmente em Shopping, os principais festivais são o “Metro Manila Film Festival” o maior e mais popular do país. “Cinemalaya Philippine Independent Film Festival” é o maior festival que fomenta o cinema independente filipino. “Cinema Internacional Film Festival” acontece em Quezon City, é um dos festivais internacionais mais respeitados da Ásia, exibindo uma mistura de curtas e longas-metragens independentes locais e internacionais. O filme de maior bilheteria, 27 milhões de dólares é o romance “Hello, Love, Goodbye” (2019) da diretora Cathy Garcia-Molina, o segundo filme de maior bilheteria, também é um romance “Rebobinar” (2023) com 15 milhões de dólares, dirigido por Mae Cruz-Alvear.
O cinema filipino é uma agradável descoberta, a sua trajetória, sua temática e seu futuro é uma incógnita como a de todos os cinemas de países emergentes que procuram por um destino.
Assista o dialogo cineclubista “Descoberta do Cinema Filipino” na página do YouTube “Rincón del Poeta”.
Acesse o seguinte Link:
https://youtu.be/ZwW1SI_9z3w







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